
A Morte não é Nada
A morte não é nada.
Eu somente passei para
o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
Eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram,
Falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas,
Eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste,
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
Sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou,
O fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos,
Agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe,
Apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
A vida continua, linda e bela como sempre foi.
“Santo Agostinho”

Soneto da Separação
Vinícius de Moraes
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Já...
Já lutei pelo que não queria
Já quis o que era inevitável não querer
Já pequei e não fui me confeçar
Já amei sem nem ao menos conversar
Já gritei pra fazer eco
Já escorreguei no limo da pedra
Já olhei sem nunca querer ter visto
Já usei o que a ninguém interessa
Já pulei de tanta alegria
Já roubei a mais linda flor
Já quebrei o mais caro perfume
Já vi o pior filme de terror
Já tremi a primeira vista
Já bati só querendo amar
Já perdi o que nunca tive
Já tive sem nunca achar
Já falei a mais linda frase
A mais bela roupa eu já vesti
Já amei o cara mais lindo
E hoje não sei o que o mundo reserva pra mim.

Viver
Quero viver intensamente cada minuto da minha vida,
problemas sempre vão existir
mas viver é o ponto de partida para superá-los
Eis-me aqui
às vezes muito triste
mas acreditando que, apesar de tudo, vale a pena viver
imaginando novos horizontes
novos caminhos
que possibilitarão a renovação do meu ser, enfim, do meu viver!!!

VAZIA DE MIM...
Teresa Cordioli.
Todas as vezes que eu estou assim, vazia de mim,
Minha’lma fica calada, fechada, em silencio interno.
Meu corpo não reage e minha inspiração faz motim
Calando os meus versos, faz-me caminhar a ermo.
Não se sinta culpado meu amor, por eu estar assim
A culpa é minha, ingênua acreditei em amor eterno
Sofri ao descobrir que o nosso amor chegou ao fim
Não me desesperei, no astral esse foi meu inferno
Se foi o teu silencio que fez calar em mim os versos
De hoje em diante farei tudo diferente, farei inverso
Vou escrever, criar rimas, sem tê-lo aqui por perto...
Não será o coadjuvante, nem será o protagonista
No palco de minha vida irão atuar outros artistas
Convidados a ocupar os vazios que em mim exista.

Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.
E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal aventurada.
Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo
Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.
Vinícius de Morais

O Velho E A Flor
Vinicius de Moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho / Bacalov
Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor

Pela luz dos olhos teus
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Vinícius de Moraes

Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor ... não cante Amo-te afim, de um calmo amor prestante Amo-te como um bicho, simplesmente E de te amar assim, muito e amiúde Quero vivê-lo em cada vão momento E assim, quando mais tarde me procure Eu possa me dizer do amor (que tive): Vinícius de Moraes
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. 
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor. E os que lêem o que escreve, E assim nas calhas da roda Fernando Pessoa Fernando Pessoa Fernando Pessoa Minhas mãos ainda estão molhadas O vento vem vindo de longe, Chorarei quanto for preciso, Depois, tudo estará perfeito; Cecília Meireles Traze-me um pouco da alvura dos luares Traze-me um pouco da tua lembrança, Cecília Meireles
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração. 
Ignorado
Quero ignorado, e calmo
Por ignorado, e próprio
Por calmo, encher meus dias
De não querer mais deles.
Aos que a riqueza toca
O ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja
Embacia-se a vida.
Aos que a felicidade
É sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera
Tudo que vem é grato. 
Poema do amigo aprendiz
Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias... 
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas 
Murmúrio
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor 
4o. Motivo da rosa
Não te aflijas com a pétala que voa: Rosas verá, só de cinzas franzida, Eu deixo aroma até nos meus espinhos E por perder-me é que vão me lembrando, Cecília Meireles
também é ser, deixar de ser assim.
mortas, intactas pelo teu jardim.
ao longe, o vento vai falando de mim.
por desfolhar-me é que não tenho fim. 
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos, Permite que agora emudeça: Permite que eu volte o meu rosto Cecília Meireles Irmão das coisas fugidias, Se desmorono ou se edifico, Sei que canto. E a canção é tudo. Cecília Meireles
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo. 
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada 
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinícius de Moraes

Soneto da
separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinícius de Moraes

Soneto da
fidelidade
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em
cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes

Caderno de poesias
Caderno de poesias
é um belo lugar.
Tantas coisas lindas
que eu gostaria de falar.
Eu falo em forma de versos
para todos poderem escutar.
Agora você já sabe
por que os poetas passam os dias
escrevendo em seus cadernos de poesias.

Há pessoas
que querem ser bonitas
para chamar a atenção,
outras desejam a inteligência
para serem admiradas.
Mas há algumas
que procuram cultivar a Alma
e os Sentimentos.
Essas
alcançam a admiração de todos,
porque além de belas
e inteligentes
tornam-se realmente
PESSOAS

Um dia de sol,
Ir à praia no verão
Sair pra dançar
Deitar no sofá
Assistir um bom filme
Ver crianças brincando
Passear no jardim
Sentir o perfume das flores
Pisar na areia
Ver a natureza
Admirar a lua e o céu estrelado
Sorrir do nada
Contar uma piada
Rever um grande amor
Amar sempre alguém
Olhar uma paisagem e dizer
“Como Deus é grande.”









